segunda-feira, 12 de novembro de 2012

It's the house telling you to close your eyes

Sinto no ar um cheiro a nostalgia. Sentada, observo as pequenas partículas de poeira a flutuarem no ar, iluminadas pelo pôr-do-sol. Sinto que se avizinha uma intempérie, juraria pela minha vida que aquelas nuvens trazem consigo grandes adversidades. Perco o foco e divago por entre especulações e medos do futuro, não sei o que esperar e como vou reagir de volta. Sinto no espírito uma fraqueza tremenda como se a qualquer momento tudo à minha volta ruísse e eu ficasse ali sem saber o que fazer, para onde ir e no que acreditar. Sinto no coração mil e um estilhaços do que antes era uma certeza e agora uma insegurança, sinto na alma uma loucura inexplicável que se apodera de mim e de tudo em que acredito, sinto na minha pessoa um vazio desconhecido, a ausência de brilho, de vida. E o sol vai descendo, desvanecendo e perdendo-se no meio do caos, demonstrando a sintonia em que se encontra com a minha persona. Mentes em conflito, traumas à descoberta, instabilidade crescente, paz interior desaparecida, medos permanentes, esperanças perdidas, implosão de desespero. Lutar cansa, ser forte cansa, sobreviver cansa. A minha alma recalcada, pede-me que não desista e não o farei, apenas não tenho força para suportar constantemente as muralhas que me cercam e me protegem, por vezes perco-lhe o norte àquela bravura e firmeza com que me preencho. A persistência que cativa qualquer um. Lá no fundo, sonho fortemente com um abraço intenso que me envolva e que me aqueça, isolando de toda e qualquer dor. O sol desapareceu algures no horizonte. É agora de noite e tenho medo, medo de mim e dos meus pensamentos mais sombrios. E o silêncio traz consigo a solidão sorrateira e maliciosa que ataca com perícia. Preciso de me sentir invencível, poderosa de mim mesma, segura do meu potencial e de que não estou só, de que eu sou a melhor e mais fiel companhia que alguma vez terei. Minto. Rectoricamente. Na alma, sinto agulhas a espicaçarem tudo o que de decente possuo e vejo a minha sanidade mental a voar-me das mãos. Oiço a chuva a cair, impiedosa e rasgante. Assombram-me os fantasmas de tudo o que esperam de mim e das fasquias elevadíssimas que me colocam à frente. Não sou nem serei a perfeição em pessoa e sou condenada por cada erro que cometo, por isso resguardo-me e procuro resistir. Sinto-me uma forasteira neste mundo, em guerra interiormente procurando uma solução. Sinto a falta de firmeza e consistência na minha pessoa. Têm agora lugar relâmpagos e trovões, raios e coriscos, confortando-me como força natural que são e com inexplicável satisfação que me dão. O meu olhar perde-se algures e vai desfocando, ao mesmo tempo que a audição ganha força e tudo em que me concentro é no relógio que tiquetaqueia incessante penetrando nos meus pensamentos. Estar, não estar, agir, não agir... E tudo a tempestade levou. É este o cenário que me atormenta e faz temer tudo o que me possa atacar, indefesa e solitária, perdida em pensamentos e embrenhada na candura desta noite. Sinto tudo e tudo me atinge mas chega a hora e as luzes apagam-se. Aí tudo se foi e eu… Eu deixei de sentir.

Texto de Joana do blogue Upside Down

1 comentário:

  1. Está muito bom, e as palavras põem-nos sem dúvida alguma a pensar ;)

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