Eu não acredito que as pessoas não mudem. É impossível não mudarem com a enxurrada de hipóteses que inundam constantemente a nossa mente e ela própria se vai modificando. Eu sou um caso vivo que pode testemunhar uma mudança. Todos nós sofremos metamorfoses, umas mais evidentes que outras, ao longo da nossa vida. Eu costumo comparar a nossa mente ao barro: vai-se deixando moldar. Mas, por outro lado, há ideias que permanecem, como se fosse a própria estrutura. Algumas pessoas alegam nunca terem mudado: eu abordo-me se isso é possível mas eu acho que não. Quantas vezes as pessoas deixaram de votar num partido? Quantas outras passaram a adoptar um estilo de vida diferente que num passado recusavam piamente? Isto é mudança, para mim. Quando eu falo em mudança, eu não falo na mudança da essência como sendo um todo: tudo está interligado. Se a nossa essência muda, quase obrigatoriamente tudo muda. Eu gosto de metamorfoses mesmo que elas não sejam aquilo que os outros esperavam. Gosto da metamorfose da essência que sofri mesmo isto sendo parvo, ridículo e, de certa forma, egocêntrico mas eu não quero ter a paciência deste, não quero ter a capacidade de sociabilidade daquele, o carácter permanente do outro! Eu gosto de ser como sou independentemente do que as outras pessoas acham de mim! Se eu sou como sou é por alguma razão. Se tenho os defeitos que tenho, se sou imperfeita, reles, exigente, teimosa ou seja lá o que eu sou, é porque eu tenho de ser assim. Eu nunca acreditei no destino porque isso, para além de não ser plausível do ponto de vista científico, eu própria me construí. Não foi fulano nem cicrano que determinou as desavenças que eu ia ter, as paixões que iria ter ao longo da vida e muitas outras coisas: eu própria construí tudo aquilo que sou hoje como pessoa. Este texto basicamente é para dizer que nunca se devem envergonhar nem conter pela pessoa que são. Cada pessoa tem o seu interior, a sua forma de pensar que deve ser analisada caso haja consciência para tal e, não cabe a terceiros julgar embora seja inevitável. Apenas quero acrescentar que nunca devem deixar ninguém dizer mal da pessoa que são só porque erraram porque, tal como dizia Jesus, quem nunca errou que atire a primeira pedra. E eu sou apologista dos erros que nos fazem crescer. Isto não é didáctico, mas se os vossos pais estão sempre a resguardar-vos do perigo e dos erros, posso-vos quase garantir que na selva que é a nossa sociedade, dar-se-ão muito mal. Portanto, cometam erros, vivam e não queiram ter mil e uma virtudes porque virtudes está o mundo farto e a maioria delas são inventadas.
Não liguem... hoje apeteceu-me escrever isto. Espero que mude certas mentes :)